Tudo começou quando alguém quis contar e nos propusemos a escutar com qualidade!
Em 2020, nossa fundadora, Julia Poletine, reuniu quase mil relatos de sobreviventes de violência de gênero e transformou essa escuta em um movimento que hoje conta com lindas voluntárias e presença em espaços como a CSW da ONU e o Mercocidades.
Contar uma história é um ato de coragem. Escutá-la com responsabilidade é o primeiro passo para que ela produza conscientização e mudança. A violência de gênero, no entanto, não termina quando a história é contada. Ela também precisa ser compreendida, documentada, debatida e transformada em conhecimento capaz de sustentar transformação social. É nesse espaço que a EQC atua.
Transformamos experiências em conhecimento, mobilização e mudança social. Essa transformação acontece por meio de quatro eixos que se sustentam mutuamente. O acolhimento valoriza a escuta responsável e livre de revitimização. A produção de conhecimento converte experiências em pesquisas, estudos e conteúdos. A mobilização social conecta pessoas, organizações e iniciativas comprometidas com essa transformação. A incidência política fortalece políticas públicas e amplia direitos. Nenhum desses eixos funciona sozinho. Pesquisa sem mobilização não chega às pessoas. Mobilização sem incidência política não muda estruturas. Incidência política sem acolhimento perde o contato com quem vive a violência todos os dias.
O acolhimento que praticamos é seguro e humanizado. Cada história é recebida com cuidado, respeito e responsabilidade, em espaços protegidos contra a revitimização. Reconhecemos a complexidade das experiências de cada sobrevivente e respeitamos o consentimento, o anonimato e o direito de decidir como e quando contar. Tratamos relatos, dados e conteúdos com rigor e compromisso com a integridade da informação, porque a verdade sobre o que uma mulher viveu não admite atalhos.
Atuamos a partir de uma perspectiva interseccional. Raça, território, deficiência, orientação sexual e identidade de gênero atravessam a experiência da violência e o acesso aos direitos de formas diferentes para cada mulher, e nossa atuação reconhece essas diferenças em vez de tratá-las como exceção.
Acreditamos na educação, na conscientização e na mobilização coletiva como caminhos para prevenir e enfrentar a violência de gênero e fortalecer os direitos humanos. Nossa atuação é orientada pela autonomia e pela independência, com as sobreviventes no centro de cada decisão.
Mais do que responder às consequências da violência, trabalhamos para transformar as estruturas que permitem que ela continue acontecendo.
Sonhamos com um futuro em que nenhuma mulher precise enfrentar a violência de gênero sozinha, em que acolhimento, respeito e informação estejam ao alcance de quem precisa. Um futuro em que cada história seja escutada preservando a autonomia, a dignidade e o protagonismo de quem decide contá-la. Um futuro em que a conscientização substitua o silêncio e o conhecimento fortaleça direitos e previna novas violências. Um futuro que reconheça diferentes vivências, considerando raça, território, deficiência, orientação sexual e identidade de gênero como parte da experiência de cada mulher. Um futuro construído por sobreviventes, pesquisadoras, educadoras, organizações, instituições e pela sociedade inteira.
Essa é a EQC. Uma organização que transforma histórias em conhecimento, conhecimento em mobilização e mobilização em transformação social. Seja bem-vinda, bem-vindo, bem-vinde a essa construção.